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Brasileiros aprendem chinês de olho na carreira
Diego Toledo
de São Paulo
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Para boa parte dos alunos
de uma escola de chinês em São Paulo, aprender
o idioma é uma oportunidade para abrir portas no
competitivo mercado de trabalho, em especial na
área de comércio exterior.
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Conhecer a língua e a
cultura é um grande diferencial para você
fechar um negócio ou trabalhar em outras
empresas, afirma Elen Milan Okada, que
trabalha em uma companhia de transporte marítimo
e há cerca de quatro meses é aluna do curso de
chinês da escola Mandarim, no bairro do
Paraíso.
A China é um país que está crescendo em
ritmos alucinantes e, como eu trabalho na área
comercial, tenho grande interesse em abranger o
maior número de línguas possível, diz
André Cardoso, engenheiro recém-formado que
atua no comércio de softwares e estuda chinês
desde o final do ano passado.
Cardoso, no entanto, admite que tem um outro
interesse nas aulas de mandarim: quer se preparar
para assistir de perto aos Jogos Olímpicos de
Pequim. Tenho grande interesse em ir à
Olimpíada de 2008. Já comecei agora para ter um
tempo de aprendizagem, revela.
Dificuldades
Tanto Elen como Cardoso concordam sobre quais
são as maiores dificuldades para aprender o
idioma chinês: os diferentes tons das palavras e
a necessidade de entender e desenhar os
ideogramas.
Cada tom que você fala errado é um
significado totalmente diferente, conta
Elen. Por exemplo, comprar e vender. A
palavra é a mesma, só o tom que é diferente:
mai (com uma pequena inflexão) e mai (com
terminação aguda), um significa comprar e o
outro, vender. Agora, qual é qual eu não
sei, confessa.
É difícil decorar isso, e são difíceis
também os ideogramas. Para cada sílaba, você
tem um ideograma. Para o ocidental, é bem
complicado até aprender a desenhar, diz
Cardoso.
O engenheiro também admite que é muito comum
para os alunos de chinês cometer uma gafe quando
tentam praticar o idioma com alguém que conhece
bem a língua.
Por exemplo, mãe é ma. Agora, se falar
com um tom diferente: ma (maa), quer dizer
cavalo. Então, você pode chamar a mãe do cara
de cavalo, brinca Cardoso.
Perfil dos alunos
O co-fundador da escola Mandarim, Victor Key
Harada, afirma que mais de 95% dos cerca de 100
alunos inscritos no curso de chinês são de
origem ocidental.
Boa parte já trabalha na área de comércio
exterior e outra parcela considerável é formada
por estudantes universitários que querem
aprender a língua de olho no futuro
profissional.
Para uma comunicação básica, em cerca de
dois anos a pessoa já consegue ir para a China e
identificar alguns ideogramas do dia-a-dia,
estima Harada. A idéia é que a gente
forme alunos com fluência em cerca de quatro
anos.
O taiwanês Ming Wu, um dos professores da escola
Mandarim, afirma que, ao mesmo tempo em que
aprendem o idioma chinês, os alunos também são
educados sobre curiosidades e características da
cultura e do comportamento dos chineses.
Todo mundo já sabe que o chinês
cumprimenta com aperto de mão, nunca
beijinhos, diz Ming. Além disso, é
comum dar cartões de visitas com duas mãos e
sempre observar bem o cartão, e nunca guardar o
cartão do lado como os brasileiros fazem.
De acordo com o professor, os brasileiros
consideram as pessoas mais importantes e, por
isso, observam diretamente a pessoa, e não o
cartão. Já o chinês, afirma Ming, vê o
cartão como a própria pessoa.
É obrigação você observar o cartão com
muita atenção e guardar em um lugar visível
para as duas pessoas, ou até segurar na mão
até o final da conversa, ensina Ming.
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